A ARQUITETURA DO NEVOEIRO


                
                   O cenário político durante o segundo turno da eleição presidencial de 2018 foi um recorte social da nossa fraqueza em enfrentar discursos antidemocráticos e autoritários. Nada foi tão assustador, pulsante e incômodo nesse ano quanto a corrida eleitoral. 

O Whatsapp, aplicativo de mensagens instantâneas mais utilizado no mundo, foi um dos pilares das campanhas eleitorais de 2018. Sem ele, a campanha do presidente Jair Bolsonaro, por exemplo, jamais teria sido capaz de alcançar os eleitores com tamanha intensidade. As fake news (notícias falsas) entraram em cena de uma forma até então desconhecida para a política brasileira. Encontradas pelos apoiadores da campanha de Bolsonaro como forma de enfraquecer os fatos, as fake news foram as maiores armas para moldar a opinião pública com apelos à emoção e a crenças pessoais.
O fundamentalismo religioso também interpretou seu papel de destaque nas eleições. Como esquecer os vídeos de líderes religiosos consagrando Bolsonaro como o “Messias” da nossa política, o grande salvador enviado por Deus (como declarou o pastor Silas Malafaia)? Alimentados pelas fake news, os evangélicos empurraram o país a uma jornada de extrema-direita e interpretaram o papel de seguidores do candidato mais controverso da campanha eleitoral.
A ascensão da extrema-direita é uma novidade para a jovem democracia do Brasil. O PSL, partido de Bolsonaro, não possui uma ideologia clara e só obteve a fama nas eleições graças ao populismo de seu maior representante. Assim como Donald Trump (também considerado por cientistas políticos uma figura populista), Bolsonaro nega a verdade quando lhe convém, mesmo quando registrada por meio de imagens e/ou vídeos. Criam-se inimigos que não existem (comunismo, kit-gay, doutrinação em universidades federais) para que a nação não enxergue que os principais problemas socais do país (educação, saúde, segurança) não serão tratados com a inteligência necessária na agenda do presidente.

A resistência de parte da população a suas ideias e discursos extremistas não foi o suficiente para deter a sua vitória no segundo turno. Bolsonaro deixou de ser o candidato desacreditado pelo establishment para se tornar o primeiro presidente de extrema-direita a comandar o país. As Jornadas de Junho de 2013, o antipetismo e a recessão econômica iniciada em 2014 marcaram o desejo de mudança da população.

O país finalmente alcançou a grande mudança almejada pelo povo, resta esperar para ver se estas mudanças serão capazes de apaziguar o descontentamento político da nação.
                                                                                                                  
Carlos Vitor Martins
                                                                                        







**O autor é ativista social e acadêmico de Administração na Universidade Federal do Amazonas. O artigo integra a revista independente organizada por jovens amazonenses, em que registram a forma como veem as eleições  de 2018, e o futuro por elas determinado. 



Comentários

  1. Perfeito. Vamos torcer pelo melhor para nosso Brasil.

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  2. Esperança é a palavra desse governo, confesso que estou desacreditada, mas o que nos resta é torcer para que venha a dar certo.

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